Noga Bloga: a crônica cotidiana de Noga Sklar 
 No Facebook: 
 Adicione!

Kindle agora no seu PC, baixe aqui.

(clique para ampliar)
O Gozo de Ulysses
As Múltiplas Línguas de James Joyce

ISBN:9788578230340
Brochura - 16 x 23 cm
1ª Edição - 2009 - 200 pág

R$ 36,00


Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.



Tchau, Câncer

Pois é. Manchetes internacionais confirmam neste 20 de novembro, dia da Consciência Negra (será mera coincidência?) que, para nosso profundo pesar, o Oprah Winfrey Show não estará mais no ar a partir de 2011, será que estarei viva até lá?
Mas, calma, gente: aparentemente, a coisa, pra variar, não é bem o que parece ser. Oprah não aparecerá menos na sua telinha em futuro breve, mas, na verdade mais: está abrindo um canal a cabo inteirinho para si — com o nome espertíssimo de "OWN" ["Oprah Winfrey Network"], traduzindo para o bom português: "POSSUO" ["É meu e ninguém tasca"] —, imaginem se a coisa pega, hein? Em vez de cento e tantos canais obrigatórios, nem mil e poucos nos satisfariam a sede de conteúdo pago, afe.
Agora. Mesmo sendo tão esperta, Oprah está longe de ser perfeita, já que escolheu para a data de divulgação na mídia de sua mais recente proeza televisiva um adversário infeliz, bem mais forte do que ela mesma (e não estou falando daquele zumbi): a notícia do adeus ao excesso de mamografias, papanicolaus e outras torturas que nos atormentam desde que me dou por gente (quem não se arrepia a toda vez que percorre os seios, diligentemente, em busca de caroços suspeitos, que atire longe a primeira radiografia), e, cá entre nós, a imprensa não fala de outra coisa.
Confiram (deu no NY Times):

Guidelines Push Back Age for Cervical Cancer Tests [Recomendações oficiais atrasam a idade mínima para testes cervicais (papanicolau)]

Mammograms [Mamografias]

Addicted to Mammograms [Viciadas em mamografias]

E, claro, já tem gente dizendo (na oposição, principalmente, oposição a Obama e à saúde mental das pobres de nós, neuróticas mulheres que a medicina moderna torna ainda mais histéricas) que a culpa é toda de Obama, que tudo se trata apenas de um jeito de o estado economizar os trocados gastos com essa mania de exagerar nos exames.
Cá entre nós, se eu fosse a Oprah, chamava rapidinho o Dr. Oz pra dar um jeito ao vivo nessa bagunça informativa. E de quebra a Gail Collins, colunista do NY Times, com cuja impressionante coluna confessional de ontem, publicada naquele jornal, concordo inteiramente: estaríamos bem melhor arranjadas se jamais tivéssemos dado ouvidos a este tipo canceroso de paranóia feminina.
MEU CORPO É MEU E NINGUÉM TASCA. Vade retro, seu doutor.

Marcadores: , ,

Visões diversas de um inferno genético

De Barack Obama na China, onde encontrou seu meu-irmão, reproduzido de artigo no Globo online, e que confere com a atitude positiva que li em seu livro, citado no artigo:
"Em entrevista à CNN, Obama disse que não conhece seu meio-irmão muito bem, mas que não acha que Ndesandjo tenha traído detalhes familiares particulares em seu livro.
'Não é segredo o fato de que meu pai foi uma pessoa problemática. Qualquer pessoa que tenha lido meu primeiro livro, A Origem dos Meus Sonhos, sabe que ele tinha um problema de alcoolismo e que não tratava seus familiares muito bem', disse o presidente.
'E isso, obviamente, é uma parte triste de minha história. Mas não passo muito tempo matutando sobre isso.'"
Grande Obama.

De Clarice Lispector, sobre aspecto crucial de sua história brevemente revelado, de acordo com a biografia escrita por Benjamin Moser, Why this world, que estou lendo agora no Kindle:
"'Existe algo que eu gostaria de dizer mas não consigo. E será muito difícil para alguém escrever a minha biografia', escreveu ela em manuscrito não-publicado. Será este "algo" uma referência ao estupro de sua mãe [por uma gangue de bárbaros em pogrom na Ucrânia], um dos fatos centrais de sua vida?"
Pobre Clarice.

Argh. Enquanto me debato para suportar o que leio no que se refere ao vivo horror das fiéis descrições de pogroms contra os judeus na biografia de Clarice, vejo reduzidas a meras ninharias minhas mais profundas dores de família: não tive pai alcóolatra, nem fui estuprada, nem sofri qualquer tipo de abuso físico quando era criança. Será que com tal ventura genética continuo a merecer o nobre ofício de escriba?

Marcadores: , , ,

Na cama com o Kindle

o tijolão por baixo do Kindle é Infinite Jest, um portento de 1070 páginas
que tento ler há mais de um ano mas não consigo,
deve ser quem sabe por causa do peso do livro



Somente mulheres femininas eram permitidas na Rússia — e eu não era feminina.
Clarice Lispector, em sonho narrado em sua biografia, Why this world


Sabem aquela velha frase-chave pra selecionar namorado, "que livro você levaria para uma ilha deserta"? Pois é. Deixou de fazer qualquer sentido. Eu já havia respondido que levaria o Ulysses, mas agora me corrijo: levaria o Kindle e os 1500 livros que por ventura cabem nele (Ulysses incluído, claro), ah, tudo bem. Tem quem poderia dizer pra atrapalhar minha festa... e a bateria? Como é que você faria pra recarregar a bateria numa ilha deserta?
Bem. Melhor esquecer. Afinal de contas, a questão é apenas retórica, não é mesmo? Quem é que pretende hoje em dia, com tantos sites obrigatórios de relacionamento, se isolar realmente numa ilha deserta? Ou até mesmo embarcar num navio?
De volta ao Kindle, pois é: acabei de ganhar o meu, uma das raras e boas surpresas verdadeiras que tive na vida, gente!, eu juro que não esperava isso. E foi logo paixão à primeira vista, isto é, ao primeiro toque, porque à primeira vista, devo confessar, o Kindle parece pequeno demais, frágil demais, simples demais, embora eu na verdade esperasse que ele fosse de plástico, assim, digamos, mais vagabundinho, bem mais descartável do que realmente é. Mas ao tocar pela primeira vez o botão que o liga, ah, que sensação inesquecível! O Kindle é leve, fácil de manusear, comprar livros é incrivelmente instintivo (nem precisa digitar nem confirmar número algum, nem senha, nem nada, 60 segundos et voilà!, está lá o livro novo na sua mesa) e ainda vem com dicionário embutido, nunca mais a cabeceira entupida de livros.
Melhor ainda é o livro que escolhi para estrear este admirável gadget novo, cá entre nós que não sou de gadgets, nunca fui: não tenho iPod, nem iPhone, nem Blackberry nem nada disso, apenas um indispensável Nokia velho com câmera, sabem como é, e um notebook HP quebrado que ops, acabou de travar de novo, ô vida.
Toca a desligar, esperar, tentar reiniciar, mas eu não estava falando, ou começando a falar, da nova biografia de Clarice Lispector?
O curioso é que sem que eu jamais tenha sido fã, nem dedicadamente lido tudo que ela deixou disponível, minha vida parece intrincadamente misturada à dela, com suas incômodas origens binacionais e tudo o mais, segundo Benjamin Moser, autor do livro, uma questão central para a enigmática escritora: faz pouco tempo que descobri, imaginem, que a dedicada acompanhante de mamãe foi também acompanhante até a morte do ex-marido de Clarice, vítima de derrames sucessivos, que até a morte foi afetado pela forte presença pós-mortem da primeira esposa, segundo ele "uma pessoa muito maluca". E foi justamente esta acompanhante que trouxe do Rio para mim na manhã de ontem, em mãos, o precioso presente enviado por meu irmão: meu Amazon Kindle.
Ainda estou no comecinho do livro, mas já posso afirmar, com o tom de exagero que me é peculiar, que converti-me irremediavelmente ao Kindle ao ler na cama sobre a vida de Clarice. Nunca mais aqueles livros pesados, aquele virar a página por fora do cobertor que é tão complicado aqui na Serra nos dias mais frios, o dicionário sempre ao lado, e pior, pobres traduções para o português, nunca mais, agora que tenho à distância de um toque sem fio o acesso barato a todos os originais, que cheiro de papel que nada.
Como disse no outro dia aquele meu amigo por email, a quem eu andava ansiosa por uma brecha para citar, "Jeff Bezos é meu pastor, nada há de me faltar".

Marcadores: ,

Se vocês pudessem me ver agora...

Pois é, veriam uma cena absolutamente patética: uma mulher de 57 anos bêbada, com os longos cabelos grisalhos recém-tosados num chanel mais comportado, chorando compulsivamente debaixo de seu chuveiro recém-conquistado — nas tardes ensolarado e com uma vista linda para as montanhas sagradas — porque recebeu hoje, na data exata, imaginem, um presente acidental em seu esforçado quinto aniversário de redenção, isto é, de casamento, de vislumbrar finalmente um passo breve que fosse além do obrigatório inferno em que vivia naquele ano zero, a mãe doente, dolorosamente demente, a família hostil, a solidão premente e o apaixonado namorado inesperado online, surgindo do nada sobre o conectado teclado, uma ilusão amorosa provavelmente impossível e relutante do outro lado — ops, do Atlântico, não...

Marcadores: , , , , ,

Kindle de graça

Gente, estou tão animada que não caibo em mim (ui!). Desde que amanheceu o dia estou propagando aos mil ventos (quatro agora parece tão pouco...) que o Kindle para PC já está disponível, de graça, para todo mundo ter: nem precisa mais possuir um Kindle, já pensaram nisso?
Nem precisa (pensar, quero dizer, ou hesitar). Vai lá, baixa e usa. É a revolução digital do livro completamente disponível, isso é que é democracia, hein?

Marcadores: ,

Uma prática repulsiva

Uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade.
Joseph Goebbels, teórico do nazismo


Tudo bem. Eu entendo que vivemos num mundo onde o jornalismo-verdade se serve à vontade de releases não confirmados, de imagens editadas e vídeos adulterados, numa enganosa e apressada salada mal temperada servida aos famintos e ignorados, ops, ignorantes, compulsivos consumidores de reportagem ligados na web e demais mídias 24 horas por dia, parafraseando Caetano, vem cá: quem quer tanta notícia?

Marcadores: , ,

Margaret Atwood no Twitter

"Tem algumas coisas aparecendo que poderiam ter um efeito positivo. Uma delas é a impressão sob demanda. Pelo que entendi estas máquinas já não aparentam na saída um resultado fajuto. Na verdade parece bom. Pense no que isso pode evitar. Evitaria caminhões entregando livros pelo país afora. Evitaria que os livros se esgotassem. Evitaria edições exageradas. Evitaria tantas devoluções. Evitaria coisas que atormentam a indústria do livro."
Mais aqui.

Marcadores: ,

A besteira (inter)nacional

Pra quem pensa que (por obra das Olimpíadas) estamos finalmente rompendo a maldita barreira da bananeira e nos instalando de mala e cuia no Primeiro Mundo do Consumo de Mídia, recomendo cautela, vejam: na semana passada, Oprah Winfrey revelou ao mundo, escandalizada, que foi preciso pagar uma taxa para que sua equipe filmasse numa favela do Rio. Agora, imaginem, que notícias do Brasil são veiculadas para o mundo? O Real forte? A Bovespa pujante? A vibrante democracia?
Qual o quê. Logo vou quebrar seu prato, suas expectativas nacionais mais positivas: está no "Top Ten" da Reuters hoje, meus amigos, sob o rótulo "manchetes suficientemente esquisitas", a instigante notícia da aluna universitária expulsa e agora readmitida pelo comprimento de sua saia, podem conferir.
Vergonha, Brasil. É. Apagão perde.

Marcadores:

De deuses, humanos e sexo explícito

Acabo de ter acesso tardio — tardio, fortuito e inesperado, datado de 11 de outubro de 2006 — a um parecer profissional de meu romance Hierosgamos, encomendado por uma grande editora. Hierosgamos foi publicado em papel em julho de 2007 (ainda nas livrarias) e está disponível para venda na Kindle Store, corram... antes que o interditem por conteúdo censurado.

Marcadores: , ,

A lenta agonia de um agapê e outras memórias do futuro

Quando no final, chegou o dia em que eu estava indo embora, aprendi o estranho aprendizado de que coisas podem acontecer que nós mesmos nunca teríamos possivelmente imaginado, nem antes, nem enquanto aconteciam, nem mais tarde quando as recordávamos.
Karen Blixen in Out of Africa, 1937


Pois é, gente, voltei, como sempre faço quando ameaço férias, mas desta vez não sei por quanto tempo, nem a bem da verdade sei, por exemplo, se chegarei ao fim arrastado desta crônica de domingo antes que meu velho HP (sem mãos nem olhos nem ouvidos e agora também) sem coração desfaleça, vocês entendem, consegui prolongar-lhe a vida (por um fio) arrancando-lhe a pilha Made in China e o condenando, pelo breve tempo que lhe resta, à eletricidade mecânica, nada messiânica: ao remodiado orifício na parede. Mas por enquanto vai indo, vamos, como tudo o mais: lenta e confusamente. (tem gente que sofre com gatos doentes, por que não sofreria eu com o triste fim de meu companheiro mais premente?)

Marcadores: , , , ,

Na espiral racional da tecnologia

"Como diz a autora: 'Gradualmente vamos modificando padrões em nosso corpo e espírito e, a cada volta da Roda, acessamos níveis mais profundos, numa curva superior da espiral'. Um livro mágico", acabei de transcrever na página de meu livro no Kindle , elevando à categoria digital a quarta capa da edição original de "Eu, xamã", aka "Fases da Lua", publicada em 2000 pela poderosa Editora Madras, eu sei, eu sei, nego e renego sempre que posso essa minha fase esotérica interpessoal, não sou mais nada disso agora e gosto de afirmar, ainda por cima, que depois deste primeiro aprendi finalmente a escrever. E continuo aprendendo, claro.

Marcadores: , ,

O paraíso, onde é mesmo?

Era como se o meio-termo tivesse falido, completamente.
Barack Obama profético in "A origem dos meus sonhos"


Eu sei que deveria ter escrito ontem, afinal de contas era o primeiro aniversário da vitória de Obama, paradoxalmente comemorado pela oposição republicana com a aparente derrota dos democratas nas eleições locais para governador e alguns outros cargos, não sei bem quais, com tanta coisa me acontecendo não tive a paciência de ler direito. E como deu pra ver, entender e não ler, nem de escrever aqui no blog.

Marcadores: , , , ,

Sonhar é bom e eu gosto

Eu nem ia falar sobre isso agora, mas confesso por baixo do pano que, motivada pela incisiva intromissão doméstica da mídia agressiva aqui em casa, larguei de lado o divertidíssimo "Caim" do Saramago — que me fez rir feito louca outra dia na banheira, que depressão que nada, vai escrever bem assim na... ah, melhor deixar pra lá — e comecei imediatamente, assim que o recebi pelo correio, a ler o livro de Obama — "A origem dos meus sonhos", aka "Dreams of my father" — que ganhei naquele prêmio do Globo, vocês se lembram (é, gente, surpresa: O Globo manda entregar meesmo os prêmios que a gente ganha, esteja a gente em que mato escondido estiver, muito bom isso).

Marcadores: ,

Gulag no Rio

Todo mundo sabe que sou completamente contra Lula, sempre fui, mas, francamente, pegar pesado como fez Gerald Thomas no canto de cisne de seu blog defunto, enfiando Lula no saco malhado de Stalin e arranjando de repente pro nosso presidente um lugar de honra no panteão dos carniceiros... peraí. Assim também não.

Marcadores: , , ,

O joio do trigo no Kindle

clique para ampliar— A senhora tem jornais aí? — escuto vindo lá de fora a voz do pintor que chega, de manhã bem cedo, para retoques na casa, enquanto Alan emerge sonado do quarto, ainda de robe e já rindo dos mais recentes desencontros que a tecnológica humanidade impõe a nosso dia-a-dia cada vez mais empobrecido (haja grana pra manter-se parte, não é?).
— Agora imagine — ele adverte se divertindo — cobrir o chão da sala inteirinho com Kindles pra proteger a pedra verde dos pingos brancos de tinta...
Isso, pra não mencionar que até na feira o jornal impresso já vem perdendo parte importante de seu uso: meu peixeiro de Itaipava, por exemplo, usa um papel finíssimo — de um lado seda, do outro uma versão suavizada de pardo rosado — para embrulhar seu peixe.
Não foi ainda no leitor de ebooks da Amazon.com que li O Globo esta manhã, lá isso é verdade, ansiosa demais pra ver meu nome registrado na fila da frente dos brasileiros publicados no Kindle, eu e Machado, pois é, se andei sumida do blog por um ou dois dias — e do Facebook, e do Twitter, e até do Globo Online —, vocês já sabem por quê: é que eu estava desbravando corajosamente, exilada de tudo o mais na mesa do escritório do andar de cima (e arrancando, desesperada, os longos cabelos brancos, com tantos bugues de linguagem me atacando no preview da tela, sabe-se lá como e vindos de onde), a selva do formato no Amazon Kindle.

Quer publicar? Vem pro VTD você também. Você não vai querer ficar de fora, né?

Marcadores: ,

Qualquer maneira de amor vale amar

Acabo de ler no Globo, com alguns dias de atraso, a tristíssima história do pai do rapaz viciado que num surto de crack, ou de álcool, ou de sei lá o quê, estrangulou a namorada que amava, é, gente, que estranha forma de amar, não é mesmo?

no Globo online, confira.

Marcadores:

The Kindle experience


Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade
Neil Armstrong, primeiro astronauta [americano, claro] a pisar na Lua


Embora assim pareça, ainda não sou eu pondo as mãos e os olhos gulosos de consumidora no mais novo e cobiçado brinquedinho eletrônico da praça, não, gente. Mesmo assim, já vou cuidando de aprimorar a incrível experiência pra você, leitor afortunado, que já tem o seu: sexta-feira à noite foi celebrada a parceria entre esta autora e o competentíssimo Portal Verdes Trigos para a edição de títulos brasileiros no Kindle, você sabia? Que apesar de estar sendo vendido para o mundo inteiro e o Brasil incluído, o Kindle somente oferece três livros em português? Dois deles de Machado de Assis, e em cópia aparentemente pirata? (ou seria de domínio público? hein? cala-te boca.)
Bom. Quero dizer. Oferecia. Até na última sexta à noite, já que a partir daquele solene momento os quatro títulos desta que vos fala já estão à venda lá, sob o selo VerdesTrigos, marcando território intelectual para as nossas letras: um pequeno passo para Noga Sklar, um salto gigantesco para a literatura brasileira, já pensaram nisso?

Marcadores: ,

O elefante acorrentado

Não sei porque os recentes acontecimentos violentos aí no Rio — convenientemente ampliados pela mídia não mais local, mas agora, vergonha!, tristeza!, plenamente internacional — têm me lembrado aquele fábula do elefante acorrentado, vocês sabem qual: tinha um elefantinho crescendo preso a uma corrente levinha desde a mais tenra idade, o paquidérmico corpinho crescendo e a corrente onipresente, limitando o tempo todo o movimento àquele círculo restrito tendo a corrente como raio; pois estando o elefante já adulto, nem percebia que a corrente jamais resistiria a um leve puxão de sua parte: nesse ponto já era tarde, o nosso bicho, não importa quão forte estivesse, para sempre convencido de que jamais se libertaria do seu destino traçado, sabem como é.

No Globo Online, confira.

Marcadores: ,

Bodas de inseto

Bees do it, Even educated fleas do it, Let’s do it, let’s fall in love
[As abelhas fazem, Até mesmo as pulgas amestradas fazem, Vem também, meu bem, vamos nos apaixonar]

Cole Porter


Vou poupar-lhes o grotesco da foto, agradeçam, e incendiar-lhes a imaginação com meus superexplícitos relatos sexuais entomológicos, pasmem: é a temporada de cio dos... insetos, aqui na serra, pelo menos.
Vocês eu não sei, mas eu, confesso, nunca tinha visto tal coisa. No máximo pares agarrados de libélulas em St Augustine há quase cinco anos, na primavera da Florida, mas, gente, do jeito que está rolando aqui em casa nestes últimos dias é mesmo de invejar, ou, pra quem não está amando, vocês sabem, de incomodar, pô: get a room!

Marcadores: ,

Abaixo as ditaduras
(o livro no poder)


Todos os começos são difíceis.
Talmud... e Isaac Bashevis Singer


Pega até mal nas circunstâncias atuais começar qualquer texto, mais ainda uma crônica de blog, com uma citação do camarada Mao, mas lá vai: "O poder flui do hábil manejo da pena, não apenas da arma."
A China, como vocês sabem, foi a convidada de honra da Feira de Frankfurt que se encerrou ontem, uma homenagem cultural oportuna que terminou controversa, afinal de contas, toda exposição global é inimiga do controle local, e quanto mais ampla mais mortal: pode-se até enganar muita gente por algum tempo, e pouca gente por muito tempo, mas é impossível enganar todo mundo o tempo todo. E um milhão de pessoas chamando um cavalo de vaca não faz do cavalo uma vaca, a não ser temporariamente, e numa língua que pouca gente entende, sabem como é.

Marcadores: , , ,

Bono salva o meu domingo...

...enquanto com seu artigo joga uma pá de cal no meu combalido e ideológico casamento, cala-te boca, quando eu já ia virando casaca, cedendo quase irresistivelmente ao pensamento pessimista de Alan, pior, influenciada por Maureen Dowd, minha ironista favorita, que na crônica de hoje parece também ter dado as costas a Barack Obama (ou será que o sofrimento amoroso me deixou tão burra, mas tão burra, que já não entendo coisa com coisa?).
"O negativismo de Rush Limbaugh, Anne Coulter e Glenn Beck fizeram mais para destruir a América do que Bin Laden e a Al Qaeda jamais sonharam", diz o comentário de um leitor, perdido entre outros tantos que, como Alan e seus muitos pares cujo número vem crescendo assustadoramente, condenam por manter-se inativo, dedicado somente às aparências, o outrora popular presidente Obama.
Onde andará a verdade? Hein? Meu coração por enquanto se limita a duvidar, pendendo ainda neste momento para o benefício de Obama, vocês sabem, sonhador que sonha de verdade não gosta nem um pouco de acordar caindo da cama.

Marcadores:

O bafo de Nero

Existe uma crença xamânica ritual que atribui ao fogo um renovador poder espiritual, algo assim como um complexo regenerador, um dom sobrenatural de fênix ancestral, se é que vocês me entendem. Na vida real, no entanto, excetuando-se o vasto poder que só a natureza tem de quando é necessário se autoreinventar, não há como negar: o que é feito pelo homem desaparece ao queimar, e é sempre pouco o que se consegue resgatar. Com um pouco de sorte e uma série de imagens meio frias, registradas em tantos meios magnéticos hoje em dia, preserva-se a precária memória do que em cinzas se desfez, se apagou, dispersou-se no ar.
E o que dizer quando a própria memória se vai? Um perecível legado de artista, já gravemente abalado — para além dos limites de sua própria fragilidade física intrínseca — por prolongadas disputas familiares e políticas?
Eles brincam com fogo e nos queimamos todos: nunca mais penetrar de corpo e alma e reverência na mente prolífica de Hélio Oiticica; nunca mais elevar na rua o estandarte colorido da marginália tropicalista.
Faltam-me as palavras. Estou chocada. Cinzenta. Silenciada. Enquanto me lembro de mim mais contente, penetrando animada no incrivelmente vivo acervo sensorial do artista, lembro-me também com o coração pesado de algumas outras vítimas de triste memória chamuscada: Raymundo Colares, por exemplo, mal aparece no Google; o ativo MAM de nossa produtiva juventude, que depois daquele incêndio maldito foi-se para sempre, conformou-se irremediavelmente em ser apenas mais um museu; até a querida Clarice, imaginem, quase morreu queimada, pra não mencionar o tesouro cultural que o fogo arrasou (criminoso ou casual?) na antiga Biblioteca de Alexandria e, finalmente, por que não modestamente acrescentar, as centenas de páginas estupidamente ritualizadas de meu próprio e renegado portfolio de designer.
Ah. Tudo bem. Não pretendo na crônica discutir os culpados, mas sim apontar a dor resfriada do que já foi queimado em absurdas bodas explosivas: que acaso flamejante atrai para o fogo o ardido ímpeto criativo?
Ana Durães, diretora do Centro Hélio Oiticica, quer propor a discussão entre o Estado e os herdeiros de artistas, e eu apoio e entendo. Mas quando é tão pouca a verba disponível, que mecanismos seriam esses? Teria o improvisado estado cultural das coisas públicas, com credibilidade tão reduzida, o cacife estimado de garantir para sempre a obra de um artista?
Num mundo ideal, onde a mão mesquinha do recurso monetário não se aliasse impiedosa à memória especulativa (e ninguém apagasse os talentosos raymundos, coitados, pobres abandonados sem fortuna e desprezados pelo destino), os herdeiros cederiam de bom grado e o Estado, com certeza, de bom grado ampararia, mas este mundo, meus caros, não existe.
Resta a cada criador o parco consolo do próprio patrimônio consciente: quem se dá ao mundo abertamente, como se fosse um público presente. Não seria esta a sorte grande do artista, a ser honrada por seus descendentes? Não descansa solitário o nosso Hélio, claro que não, no infernal memorial dos que em vida se entregaram completamente.
Vocês eu não sei, mas eu, nem sei explicar de que maneira, vejo sempre a sombra de um crime rondando incendiária, à revelia dos bombeiros da cultura, a disputa autoral entre direitos herdados e a criação universal.
E quanto a nós, gulosos consumidores de arte? O que fazer quando esse fogo sem tréguas respinga, termina por transformar em cinzas o que foi tão precioso no passado?

Marcadores:

A liberdade de discordar

Não confie em ninguém com mais de 30 anos.
Marcos & Paulo Sérgio Valle


(pode ser que nada a ver, mas só por ter lido esta crítica do Prosa enquanto escrevia a crônica: como o faz sem hesitar esse decano avozinho das letras ao desconstruir, com a ousadia e a volúpia impróprias da idade, o desfavor de caim por um deus que julga mal, e que acima de todas as crenças revela que odeia abel, seu irmão favorito em tantas outras teorias — minúsculas dele, José Saramago, agudo autor destas desprezíveis heresias em seu novo romance "Caim", da Companhia das Letras)

Simone Campos, cujo livro de contos "amostragem complexa" — assim, com minúsculas mesmo, publicado pela 7 Letras em 2008 com patrocínio da Petrobrás — estou lendo meio aos trancos neste fim de semana, escreve como se fosse a voz de sua geração.

Marcadores:

O preço online da invisibilidade

Nem é que eu esteja magoada nem nada, mas, gente, até onde vai a insensibilidade humana? Ou eu deveria dizer, o poder da antipatia entre humanos conectados?
E pensar que um dia acreditei ter me livrado, através da internet e das tais redes de contato, do fardo da solidão a que a grave timidez da infância me havia condenado, mas qual.

Marcadores:

Twilight Zone

Fim de tarde agorinha há pouco, vista da janela sentada à minha mesa, por trás do notebook (não deu pra resistir a tanta beleza):

Marcadores:

Ganhei sim, mas não gostei

Enquanto escritora eternamente carente e frustrada com a falta de fama, vivo em busca de um buraco decente onde possa ver publicadas as minhas crônicas. E às vezes até rola, como agora, por exemplo: levei o (ridículo, eu sei, para uma autora que se pretende séria, mas que O Globo insiste em apresentar como "leitora") prêmio de texto sobre o Nobel de Obama com a crônica "Pretensiosos Ridículos", ganhei o livro dele "A origem dos meus sonhos", mas cadê o meu texto publicado? Vocês acham mesmo que meu objetivo era ganhar o livro prometido? (agora vou ser obrigada a ler e criticar o polêmico autor, tão querido, do qual por medida de segurança afetiva achei melhor nunca me aproximar, fazer o quê, chegou finalmente a hora literária da verdade: Obama, gênio ou fraude?)
Assim magoei. Sinceramente. Por que será que O Globo nada quer comigo se reconhece publicamente (já nem é a primeira vez) o valor do que escrevo? Hein?
Aí, gente, escrevo tanto, e modéstia à parte, tão bem sobre Obama, que até resultou em livro: Luau Americano. Confiram no Scribd.

***

Ops. Só agora me toquei: será que é um de meus seis desejos sendo realizado?

Marcadores: ,

Três (seis) desejos

Dias nublados têm lá sua beleza, tá certo, mas para o momento me cansei deles. Principalmente depois que ontem à noite mudei de lugar a mesa do escritório: desde que me instalei na casa, eu vinha trabalhando durante as manhãs num canto idílico próximo ao terraço, ensolarado, mas tão ensolarado, que por boa parte do dia a claridade brilhante infiltrada pelo vidro cegava a tela. Parecia bom antes que eu testasse, mas agora que me livrei, finalmente, do excesso de luz que machucava a retina, tenho de quebra bem à altura dos olhos a montanhosa amplidão da vista. E a doce promessa prolongada de uma sombra matinal de rotina, fresca, suave e produtiva. Nada disso interessa nos dias nublados, claro.
Pois é, gente, tenho essa mania. Quando tudo vai mal, mais cedo ou mais tarde mudo de lugar, isto é, mudo os móveis de lugar. E alguma coisa acontece nalgum outro lugar, muda a química do cérebro, sei lá.
Eu movia solitária a mesa de lá para cá quando o tampo pesado de vidro resolveu me escapar (felizmente não chegou a se quebrar). Alan ouviu o barulho e subiu pra verificar, quer ajuda aí? Foi o que bastou. Nada na verdade mudou, mas o luto pesado da minha alma se aliviou, por algum incontestável motivo neurótico que sempre me escapa tudo em volta se transformou (não quer dizer que vá durar).
Agora. Se na caminhada do dia eu me deparasse com um gênio da lâmpada (ih, complicou) que me oferecesse os três desejos de praxe, e por algum milagre absurdo eu tivesse garantido o que já tenho na vida — pudesse manter a casa, o casamento com Alan, e de alguma forma encontrasse uma fonte de dinheiro tranquila, sem maiores perdas traumáticas, ih, complicou mais ainda — eu só pediria isso: um Kindle (pra tudo que o Kindle faz), um ventilador de teto (pra afastar os insetos) e persianas brancas para o quarto (pra poder sair da cama mais tarde).

Marcadores: ,

Pretensiosos ridículos

Tome cuidado com o que você deseja. Você pode acabar conseguindo.
pelo famoso quem? desculpem, mas não consegui apurar



Cá entre nós, esse Nobel da Paz teve sempre uma ligeira tendência a ser ridículo, com raras e preciosas exceções, mas em toda a minha vida não me lembro de tantos protestos contra um laureado como nesse curioso caso de Barack Obama.

Marcadores:

O antagonista

Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima.
Paulo Vanzolini, que até Obama sem querer já citou



Nas últimas semanas estive justificando o absurdo inferno em que estou vivendo com a teoria do antagonista, vocês sabem, aquele dente da arcada inferior que todo dentista faz de um tudo para preservar, doa o quanto doer, infeccione o quanto infeccionar, para evitar a perda "inevitável" do correspondente na arcada de cima. Mas o fato é, meus amigos, que duvido muito que isso seja realmente um fato, isto é, já me livrei de alguns "antagonistas" e nem por isso acabei banguela.

Marcadores:

O Sonho Americano visto por dentro



"Aprendera a falar num mundo que acreditava no New York Times: Peritos Discordam da Fluorização, Diplomata Ataca o Texto do Conselho, Autonomia para a Província de Bantu, Chanceler Explica Objetivos das Conversações, Nôvo Movimento de Assistência à Saúde para a Velhice. E perdera toda a minha fé, agora", leio logo nas primeiras páginas do célebre romance de Norman Mailer que herdei de papai e mamãe e que eu nunca tinha lido (mais um buraco imperdoável na lamentável cultura terceiromundista desta cronista, como diria Alan, com a intenção de ferir minhas vãs pretensões de autora brasileira), tão velho como este "nôvo" com acento e, no entanto, surpreendentemente tão novo, para além de acentuadas mudanças na ortografia.
Não sei se prosseguirei. É violência e desconforto demais para o meu momento, tudo do que venho tentando fugir. E eu ainda acredito no New York Times, mas já não consigo falar sobre isso, aqui em casa, pelo menos.
Se eu tivesse lido Mailer há mais tempo certamente hoje não me iludiria. Já nos primeiros tempos de meu caso de amor em St Augustine, lá se vão quase cinco anos de encanto e sofrimento, eu desconfiara intuitivamente de que há algo de podre no Sonho Americano: por onde eu olhasse era gente obesa e lesa, com o olhar perdido, pra não mencionar os desabrigados no parque, coisa espantosa para um país onde os "pobres dirigem carros e compram steak com cupons de comida" e, mesmo sem ter onde morar ou no que trabalhar, ainda assim vivem muito melhor do que a vasta maioria, quem quiser que acredite.
Não lerei Norman Mailer, no entanto, porque eu não suportaria o intenso realismo de seu briguento personagem favorito, um egresso frustrado de Harvard que teve no front seu brilhantismo destruído por um par de granadas enganosas: pensava matar alemães, mas era a si mesmo que matava, apesar das medalhas recebidas. E seguiu assim mesmo, frustrado, amargo, perdido, um assassino compulsivo do que mais amava na vida. Não suportaria o realismo, a atualidade (apesar dos mais de 40 anos decorridos), e a semelhança com Alan, é claro, um desses americanos típicos com sonhos de grandeza esvaídos. E com tantos violentos protagonistas do novo jornalismo, como Bill O'Reilly, por exemplo, aos berros na tela ontem à noite com o sereno Richard Dawkins, "pare por favor de gritar comigo", "mas este é meu tom de voz normal, meu amigo". É o que aliás também diz Alan, quando grita comigo: eis no que deu a América de hoje, em Deus já não confio, e no dólar menos ainda.
Não lerei Norman Mailer neste momento crítico por não ser capaz de escutar, com todas as letras, que, como todos os Sonhos Americanos típicos, o meu já não existe. Foi-se o amor, o lirismo, o prazer do companheirismo. Foi-se embora o perene desejo de toque, de troca, a delícia de ter, finalmente, escapado da toca: minha jaula liberada pelo amor dele se transformou, sem que o meu amor percebesse, na jaula dele. Trocamos de alma e o corpo acabou seco, agora me digam, será que consigo aceitar isso? Que depois do deleite prolongado, tenho me deitado ultimamente com o inimigo?
Há algo de podre no sucesso americano, e os próprios americanos são os primeiros da fila a saber disso, podem acreditar. Será por este motivo que se debatem tanto publicamente? Se recusam a aceitar que Obama poderia, um dia, começar talvez a mudar isso?
Ou representaria Obama uma saudade enorme, uma nostalgia que não passa de algo em que já ninguém acredita, como, por exemplo, a eterna superioridade americana? A evoluída sociedade pós-guerra puxando pra frente os valores humanos? (Eu, pelo menos, cresci com este mito: na minha família o governo americano foi sempre o grande herói, o imbatível salvador do mundo. Dos judeus, pelo menos. E nunca me ocorreu discutir isso.)
Pois todo esse orgulho besta e inútil, essa ingênua e disfarçada eugenia — que mantém nas teimosas mãos americanas a liderança da terra — têm sido ameaçados de morte pelo franco globalismo apregoado por Barack Obama, lá vou eu confundindo de novo as misérias globais com minhas crises domésticas banais, mas o que é que vocês queriam? Se fui dormir com o doce príncipe e acordei com veneno no ouvido?
Só mesmo o fantasma enganado do pai literário encarnado poderia me redimir deste doloroso compromisso. Mas não acredito mais em fantasmas, nem em Deus, e nem muito menos no valor preciso da literatura. Restaria o amor? Duvido.

Marcadores: ,

Pobre crônica cotidiana

"Como te disse, no momento estamos fechados para crônicas de autores nacionais", eis a bomba que acabo de ouvir daquele grande editor que como uma boba tenho perseguido, não mais, prometo a mim mesma. Preciso cuidar da minha autoestima, que por tantos e tão sérios motivos tem andado bem combalida.
Há mil livros (isso mesmo, 1000 livros) na frente sendo produzidos, continua ele, pisando poderoso com toda sua força de mercado na mosca do cocô do cavalo do bandido, pobre crônica brasileira, um gênero antes tão rico, sendo assim relegado ao imerecido ostracismo, ou seria apenas esta cronista?
Não sei. Sigo em frente assim mesmo, pois eu morreria se ligasse pra isso.

***

Enquanto isso, o incrível Twitter tem seu tráfego interrompido com a emocionante notícia de que "Miley Cyrus não vai mais tuitar", caramba, como é que a gente viverá sem isso?

Marcadores: ,

Só pra esclarecer*

Se você pensa que sumi do ar de repente — apenas um minuto depois de postar em primeiríssima mão meu franco e impensado entusiasmo —, por ter me envergonhado da controversa opinião pelo surpreendente Nobel de Obama, think again.
Bateu um vento que causou, entre tantos outros prejuízos, essas quase (desesperadoras) 20 horas de isolamento (depois das primeiras 15, dá um total de 35) taí, acabo de descobrir um lado fraco de morar no mato: a mínima capacidade de atendimento da Ampla, a nossa light.
Quando a energia voltou — depois de exaurir a um só tempo as baterias do notebook, do celular, e do meu casamento em crise —, salvei o pouco que restava da comida perdida dentro da geladeira e me atraquei com a tevê, logo em seguida, pra não perder de vez o ritmo da novidade, que inevitavelmente já estava perdido para a posteridade: fui das primeiras a saber do Nobel e quando cheguei para comentá-lo já era tarde. Os famintos gladiadores da oposição estavam instalados na boca do leão.
O que temos visto é que Barack Obama vem realmente provocando ânimos acirrados, por que será, hein? Por estar a caminho de cumprir a perigosa promessa de desarmar o mundo? Sei, sei. Acredito na carochinha também. Mas entendo perfeitamente que a comissão do Nobel pretendeu aprovar a incipiente campanha de paz nuclear que BO tem disseminado.
Palavras, dizem seus detratores furiosos. Não mais que palavras ao vento. Tudo bem. Mas como disse o autor delas certa vez, "As palavras também podem ser atos." E têm sido.
Com a ressalva, é claro, de que nem é ele que as escreve, você sabem, Obama não passa do intérprete medíocre de um discurso simplista que algum jovem sonhador, ingênuo e inexperiente, tem nos infligido, com o claro objetivo de nos destruir daqui pra frente.
Come on, people. Por que esses americanos se odeiam tanto?

* mas como não podia deixar de ser, também discordei do Nobel muitas vezes, como, por exemplo, com o Prêmio da Paz concedido a Arafat, um momento infeliz em Oslo, taí. o que não elimina o gostinho deste. curti e pronto.

Marcadores:

PEACE, BRO!

Duvido que eu possa reproduzir em texto a emoção que estou sentindo agora, é, gente. Enquanto eu estava de fora — foram quase 15 horas de vento sem luz, a bateria do notebook na lona e a tevê silenciosa e sem contato com o Facebook — meu mundo mudou.
Nossa, pensei que fosse spam, trote, quando li, que enquanto Alan discorria sobre um pesadelo apocalíptico em que não vivo, em que jamais vivi, com os EUA desconectando tudo á* nossa revelia e a tempestade solar apagando a memória dos HDs deste mundo...
OBAMA GANHOU O NOBEL DA PAZ.
Não preciso falar mais nada. Mais tarde eu volto.

*o "à" craseado é o que eu pretendia, claro, mas fui impedida por fraquezas da tecnologia (revisado 24 hs depois).

Marcadores:

Voto discreto

Sem Marina não tem papo-cabeça, mas já me decidi: em 2010, voto no neto do amigo de vovô.
Porque mineiro, vocês sabem, vai muito além de ser solidário no câncer, maldita diverticulite, sô.
Mineiro não perde o trem. Mas compra um bonde. E não se vende pra paulista.

(Fernando Sabino, quem diria: já são cinco anos de ausência, terá sido o último dos grandes cronistas?)

E tem mais. Minhas crenças eu não me iludo: sempre as mudo.

Marcadores:

Alaska moss

(da série: retratos de um casamento intercultural em crise)

Alaska moss?! What the hell do you mean?
Ah. Ok.
El-Aqsa Mosque.
Gotcha.

Marcadores:

Eulogio

Tem certas coisas que a gente só experimenta uma vez na vida.
Vá lá: duas.
Como casar pela internet, por exemplo. E pior: escrever um romance sobre isso.
Nestes tristes dias em que aqui em casa grassa a crise, confesso, fui aos sites de relacionamento uma vez ou duas. Fugi batida.
Comigo nunca mais.

***

Mato o amante. Quem morre sou eu.

Marcadores:

A chave do talento

É, tenho esse sonho impossível: escrever escrever escrever.
Tatiana Salem Levy em A chave de casa


Mas, já?, vocês poderiam me perguntar. Afinal de contas, faz menos de 24 horas que recebi, num pacote registrado pelo correio — sei que é um detalhe completamente desnecessário, mas não cesso de me maravilhar com a eficiência administrativa desse condomínio onde me isolo do resto do mundo, sabem como é, sempre pensei que haveria um preço a pagar por morar no paraíso —, o livro de Tatiana. Me enrosquei por horas, na poltrona e na cama, e cá estou na manhã seguinte, sem meias palavras, me abrindo pra vocês.

Marcadores:

Enquanto a vida há esperança

Só um breve update para animar a (minha) galera: vocês se lembram daquela minha tia octogenária, que teve um derrame enquanto há quase dois anos eu escrevia Ulysses, e que pra minha tristeza já parecia estar com a alma encomendada?
Pois é. Na semana passada, depois desse tempo todo agindo como uma pessoa desenganada, minha tia decidiu-se a operar a catarata. Foi assim como um tipo pequeno de milagre operado pela mídia: "só" por voltar a enxergar, ver tevê e ler o jornal do dia, vocês sabem, essas pequenas coisas que fazem a gente se sentir como gente, até a voz dela mudou, está mais firme, mais encorpada, longa vida à minha tia.
Vai ver foi porque eu fiz promessa enquanto ela estava doente, vocês sabem: cortei minha longa cabeleira grisalha que ela tanto detestava. E que agora, por sinal, já recuperou sua estatura habitual.
Nada como um dia após o outro nesta vida, não?

Marcadores:

O preço da fama

Começou. Acabo de ver na Fox News uma coisa tão esquisita, mas tão esquisita, que me fez levantar da cama, deixar de lado o livro que estava lendo (e, milagre: gostando!), acender a luz, subir a escada, abrir a janela do escritório (tá quente aqui) e escrever alguma coisa, um espanto, gente: sob o pretexto de uma reportagem sobre a necessidade de carros blindados no Rio, o vídeo mostra um Rio de Janeiro que até eu desconheço e que, segundo eles, tem a taxa de violência mais alta do mundo, com soldados armados no meio da rua tipo assim um Haiti da vida, sabem como é, uma mulher pagando a passagem do ônibus e atravessando a rua sob pesado tiroteio como se, e o repórter confirma, estivesse a vida inteira acostumada a isso.
Mais estranho ainda: dois "cariocas" com nomes bem brasileiros relatando casos horrendos de sequestro e assalto no mais puro inglês sem nenhum sotaque ou hesitação, ei, peraí, que cidade é essa mesmo? Hein?
Ah, essa Fox News. Ainda morro disso.

Marcadores: ,

Evolução travada

Antes que eu apague aí na coluna do lado este livro que venho tentando ler há meses — é, gente: decepcionante demais — cumpre confessar que tentei, ainda estou tentando, mas apesar de um tênue interesse inicial, não estou conseguindo vencer a sensação de que o livro é chato, e por que tantas desculpas?
Porque, gente, o autor da coisa é um de meus autores favoritos sem que dele eu nunca tenha lido nada, sendo este pretensioso "A Grande História da Evolução" o meu primeiro, uma escolha infeliz. Richard Dawkins, para mim, é uma das melhores mentes do século, dos dois séculos em que tenho vivido. Comungo com ele a aversão a qualquer forma organizada de religião e a probabilidade, intuída mas impossível de ser provada, da inexistência de Deus: um delírio.
Pode até ser que eu esteja achando chato por não ser assim, exatamente, uma versada em biologia, mas a obra de Darwin me fascina, sempre me fascinou. O apanhado de Dawkins, no entanto, é confuso, redundante, recheado de nomes e descrições mirabolantes onde a frase mais repetida e festejada é "não faço a menor ideia de como isso aconteceu", pode?
Pretendendo ser um livro para leigos, confunde o leitor enquanto se afasta de um rigor científico que valorizaria a obra nas estantes especializadas: termina nem cá nem lá, um frankenstein caprichado, bem produzido e bem divulgado, que poderia ter sido um emocionante relato da epopeia das espécies. É pena.

Marcadores: ,

The world according to Alan

Marcadores:

Enquanto o divórcio não vem

Percebemos que o moderno movimento conservador, que lidera o moderno Partido Republicano, tem a maturidade emocional de um garoto birrento de 13 anos.
Paul Krugman, para o NY Times


Eu sei. Vocês não vão acreditar. Pra dizer a verdade, nem eu acredito, mas juro que é isso mesmo: meu divórcio iminente de Alan não se baseia em traição, ou em graves incompatibilidades de intenção, não, gente, nada disso. Compartilhamos, cada vez mais, nosso amor pela serra que escolhemos, os peixinhos dourados dando filhotes no lago de pedra em frente à sala, os pêssegos amadurecendo, a hera crescendo e a calma thoreauniana de nossa vida cotidiana, mas há um pedregulho no caminho: a ascensão política de Barack Obama.

Marcadores: , ,

Assine

Estou escrevendo:

Love Songs

Frase do dia:
"Nunca acreditei que tudo acontece por algum motivo. Mas tenho a profunda impressão de que tudo acontece para ser transformado em coluna de jornal."
Gail Collins em incrível coluna sobre os "avanços da medicina" no NY Times


Vozes da Flip

"As palavras também podem ser atos."
Barack Obama, citado por Simon Schama


Kindle Editions by VerdesTrigos

Kindle agora no seu PC, baixe aqui, é de graça!







Meus vídeos

Ouça ao vivo meu trecho favorito do Ulysses

Hierosgamos


no Irish Institute:


O Gozo de Ulysses


Estou lendo no Kindle:

Why this world



Estou lendo:

Caim





Blog:
Noga Bloga
A crônica cotidiana de Noga Sklar